Chapada dos Veadeiros







Chapada dos Veadeiros - Primeira Parte

Chegando em Brasília

Confesso que minha ideia de Brasília foi sempre baseada na música Faroeste Caboclo do Legião Urbana, algo como, "Meu Deus, mas que Cidade lindaaa, no ano novo eu começo a trabalhar…"

Eis que finalmente tive o prazer de conhecer o famoso projeto de cidade planejada do Niemeyer. O plano piloto, como é chamada pelos habitantes, realmente tem a forma de um avião, onde o corpo deste corresponde aos prédios administrativos mais importantes e famosos do país, enquanto que as asas norte e sul abrigam seus moradores em uma infinidade de prédios, que neste quesito tenho que opinar que faltou criatividade ao autor do projeto, pois são todos muito parecidos, para não dizer todos iguais.
De forma geral é uma cidade bem organizada, limpa, onde o tráfico flui bem devido as suas linhas expressas paralelas conectadas por rotatórias chamadas carinhosamente de “tesourinhas”pelos locais.

Brasília é uma cidade construída para carros e não oferece facilidades para pedestres, eu mesmo percebi a dureza que é caminhar por lá quando fui do apartamento onde estava hospedado até o super mercado mais próximo. Não existem passarelas, tampouco passagens suficientes para pedestres.
Depois de passar duas noites na  capital administrativa do nosso país e sentir na pele o que diz a canção do Natiroots (que na minha época era Nativus), "Eu sou Surfista do Lago Paranoá…" 15% é a umidade relativa do ar… parti para a Chapada dos Veadeiros com minha ex-colega de faculdade de Biologia Elise, de agora em diante chamada de Alemoa. Nosso destino: Vila de São Jorge, Goiás.

Primeiro Dia

Cachoeira das Cariocas


A porta de entrada para a Chapada dos Veadeiros no estado de Goiás é uma cidadezinha simpática chamada de Alto Paraíso de Goiás que fica a três horas de Brasília. A estrada é boa, apesar de ser mão dupla durante todo o trajeto e passar por dentro de uns dois vilarejos durante a viagem. Existem postos de gasolina em distâncias seguras para os desatentos. Algo que gostaria de salientar são os "quebra molas" em Goiás, cuidado com eles!! Parece que acabou a tinta para pintá-los e o governo do estado não comprou mais. Eles são invisíveis!! Fique de olho aberto para não danificar a suspensão logo no início da viagem, pois acredite, essa é uma parte do carro que você vai precisar nos próximos dias…
Chegando em Alto Paraíso a primeira coisa que chama atenção é o pórtico da cidade com formato de disco voador, isso mesmo, você leu certo, disco voador…



Existe todo um mistério, misticismo e crença nas cidades da Chapada sobre o tema. Alguns dizem ter visto os tais meios de transporte intergalácticos, outros afirmam que tiveram contato com os mesmos, passearam em suas naves, tiveram partos assistidos, enfim, inúmeras histórias sobre extra terrestres que servem tanto para deixar o lugar mais interessante como atraente.
Mais um aviso aos viajantes, o único caixa eletrônico  que funciona na cidade é o do Itaú, parece que os outros dois estão inoperantes por tempo indefinido (explodiram os caixas eletrônicos do Banco do Brasil e os levaram com um caminhão guincho, coisa básica no interior de Goiás)  e a Caixa Econômica Federal permanece fechada. Prefira pagar em dinheiro e use seu poder de barganha com isso.

Todos os pontos turísticos da Chapada possuem um CAT (centro de atendimento ao turista), parada obrigatória para pegar todas as dicas de locais para conhecer, mapas e contratação de guias quando necessário  (em toda nossa trip que durou 10 dias só contratamos um guia em Cavalcante para visitar a Cachoeira de Santa Bárbara porque é obrigatório, mas se vc não é um Indiana Jones como eu e a alemoa, sugiro contratar um guia para visitar a Cascata dos Couros).

Depois de uma rápida passada por Alto Paraíso para pegar uns mapas e algumas informações no CAT local aproveitamos para sacar dinheiro no caixa eletrônico e seguimos em direção a Vila de São Jorge que fica a 30 km de distância por uma estrada de asfalto com direito a ciclovia e vários redutores de velocidade nos locais críticos onde ocorrem atropelamentos de animais.

Vila de São Jorge é um daqueles lugares em que você demora um pouco pra entender e se localizar de tão pequeno que é … posso dizer com minha experiência em viagens pelo Brasil e pelo mundo que é um lugar único, com todas as pinturas de extraterrestres e demônios nos muros das casas, lojas místicas , hippies - chique (uma nova modalidade que eu não conhecia).
O comércio é pequeno mas charmoso, artigos de primeira qualidade sendo muitos exóticos e locais, as pessoas , já acostumadas com o turismo tem aquele olhar de quem lida com visitantes por algum tempo e sabem diferenciar seus clientes, estivemos lá na baixa temporada, o que foi um alívio pois pelo que ouvimos do pessoal local , a Vila lota nos feriados nacionais e festas de fim de ano.

Foi relativamente fácil achar uma boa pousada por um preço justo , ficamos hospedados na Pousada Águas de Março com tudo que temos direito: piscina, café da manhã, lounge com TV restaurante com forno para pizza a lenha feita na hora pelo simpático pizzaiolo (ele até liberou a alemoa para fazer uma pizza com uns queijos que tínhamos trazido de Brasília),e uma fogueira que era acesa todos os dias ao entardecer e fazia o clima da noite estrelada da vila. 
São Jorge cresceu por ser a entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, não que tenha crescido muito , atualmente deve ter em torno de mil habitantes. Possui uma farmácia, um mercadinho, um CAT, várias pousadas (desde as mais sofisticadas até campings e hostels) e alguns bons restaurantes para matar a fome depois da trilha e do banho de cachoeira que fazem parte da rotina de quem está visitando o local. Esqueça o carro na pousada e vá caminhar pelo vilarejo, a noite é tranquila, as pessoas agradáveis … São Jorge tem o poder de fazer você se sentir em casa já no primeiro passeio pela ruazinha principal de comércio, onde é possível também tomar uma bebida típica local (cachaça com frutas locais) ou uma cervejinha gelada e curtir um reggae do cerrado.

Sugiro dormir cedo e descansar pois as trilhas do Parque Nacional são as mais longas e cansativas da viagem. São duas : a trilha que leva a Cascata dos Cânions e a Cachoeira das Cariocas e a outra que leva ao Mirante da Janela do Céu, cada uma delas tem cinco quilômetros  cada trecho, ou seja, você vai caminhar dez quilômetros  para chegar até elas, e não pode demorar muito pois o parque fecha as cinco da tarde, então o melhor é chegar cedo , assistir a palestra de introdução obrigatória na entrada , pegar as dicas das trilhas com os colaboradores do parque ( a maioria voluntários) e meter o pé para aproveitar bem o dia e estar de volta antes que o parque feche. Você não vai querer pagar o mico de ter que ser resgatado ( retirado) depois do horário pelo guarda né ? 

Trilha no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros



Dica: leve um dinheiro para tomar um suco natural na barraquinha que tem no estacionamento do parque ( esqueci de dizer , o estacionamento é pago, mas se você quiser economizar dá pra ir caminhando da Vila até lá, o sofrido será a volta …), eles fazem deliciosos sucos de frutas da região que caem muito bem depois de um dia inteiro caminhando.
A noite a deliciosa tapioca da barraquinha ao lado do hostel e restaurante de massas da vila matou a fome e surpreendeu nos temperos e ingredientes , com certeza foi uma das melhores que já experimentei. Mas tenho que confessar que saí de lá de olho na casa de massas que fica logo ao lado…

Trilha da Cachoeira dos Cânions






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Obrigado pela leitura, até a próxima !

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